sexta-feira, novembro 20, 2015

EXPECTATIVA: COM O RIO DOCE CONDENADO, ÚNICA ESPERANÇA EM MARIANA É A CHUVA


O rompimento das duas barragens de rejeitos de minério da mineradora Samarco, controlada pela VALE e pela BHP, em Mariana (MG) colocou o Rio Doce e todo ecossistema próximo a ele em estado de alerta, com o rio condenado, especialistas destacam os prejuízos do desastre e torcem para que as chuvas diminuam o sofrimento na região.

Os resíduos de materiais pesados, como manganês, alumínio e arsênio, tornam a água não só imprópria para o consumo, como contaminam toda a vegetação, o solo e as espécies que se alimentam do que é produzido na área.
Coordenador do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Minas Gerais, Ricardo Coelho conta: "Temos um quadro grave, mas creio que passageiro. A qualidade da água vai depender da chuva. Como estamos no período chuvoso, acredito que em alguns dias, a situação vá melhorar e os índices de contaminação voltarão a valores aceitáveis, permitindo o tratamento dessa água pelas municipalidades envolvidas."
Coelho ressalta que será preciso um estudo que levará cerca de três a quatro anos para mensurar a exata contaminação da água.
“É comum que tenha materiais pesados, óleos graxos, com forte efeito na vegetação. Também será preciso reconstruir toda a mata ciliar que foi perdida”, acrescentou.
De acordo com o especialista em Gestão Ambiental Márcio Santos, ainda é cedo para avaliar os impactos ambientais do desastre. "A lama corre a vegetação, o solo e se solidifica. Essa capa vai esterilizar toda área por onde a lama se depositou. Os órgãos ambientais só agora que estão preocupados em estudar as características dessa lama para saber o nível de toxicidade dos elementos. Toda a cadeia biológica está contaminada.”

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