sexta-feira, julho 14, 2017

LIÇÃO DE VIDA: VOLTA AO MUNDO DE MULETAS

Em 2003, o maranhense voltava de um trabalho no Rio Grande do Norte quando o taxista foi atender o celular, perdeu o controle do carro e bateu de frente com um caminhão. Luiz Thadeu sofreu fratura exposta do fêmur, passou por 43 cirurgias e algumas complicações ao longo de quatro anos de tratamento, no Rio Grande do Norte, Maranhão e em São Paulo. Durante mais da metade desse período – uma temporada de oito meses e outra de 22 meses –, precisou usar fixadores externos da bacia até o pé. “Nessa época, eu me autoexilei, não queria que me vissem com aqueles ferros horríveis. Foi muito traumático.”

Superada essa fase e alguma resistência pessoal, um dos filhos dele, que estava estudando inglês em Dublin, na Irlanda, convenceu o pai a visitá-lo. O agrônomo planejou, então, sua primeira viagem com a esposa por oito países da Europa – ainda sem a pretensão de pôr em prática o que está fazendo hoje. Depois dessa experiên­cia, em que descobriu que a vida de muletas não era tão difícil quanto imaginava, Luiz Thadeu se viciou em viajar.


“Foi a forma que eu encontrei para me recuperar. Compensar o tempo que passei parado fazendo tratamento”, afirma. “Mesmo com a minha dificuldade de locomoção, posso ir a qualquer lugar do mundo. Não existe um destino ao que eu deixe de ir. E sempre procuro levar alguém comigo”, garante. Para se ter ideia, ele e suas muletas já pisaram, num mesmo mês, nos dois extremos habitados da Terra: Ushuaia, na Argentina, também conhecida como “Fim do Mundo”, e Barrow, no Alasca, a cidade mais setentrional do planeta, habitada por pouco mais de 2 mil pessoas.




Hoje com 56 anos e muitas experiências na bagagem, Luiz Thadeu dá palestras gratuitas, principalmente para crianças nas escolas do seu estado, o Maranhão. “Quero mostrar para os outros que mesmo uma pessoa como eu, com as limitações que tenho, pode ir longe. Alguém com as pernas boas, que tem uma graninha guardada e fala inglês, então, pode se virar pelo planeta afora.”

Nas suas palestras, ele destaca que é preciso ter prioridade: não dá para pagar uma festa boa para os amigos, trocar o carro e viajar. “Quem quer tudo não vai conseguir fazer nenhum dos três. Não dá para viajar preo­cupado, com gerente do banco me ligando.” Por cerca de 30 anos, a prioridade de Luiz Thadeu foi poupar, quando ainda nem tinha o objetivo de rodar o mundo. Mas não pense você que agora ele saiu gastando tudo o que tinha economizado. “Transformei dinheiro em imóveis, que me mantêm, e com a minha renda do trabalho eu pago meus sonhos.” A vantagem é que pode trabalhar remotamente e tem flexibilidade de horário na empresa que mantém com um dos filhos.

Só uma dessas propriedades foi vendida, em 2009, quando Luiz Thadeu começou de fato a planejar conhecer 120 países. “Vendi um terreno por quatro vezes o valor que eu tinha pago, era num momento de boom do mercado do Maranhão. E na época o dólar estava a R$ 1,65.” Esse bom negócio permitiu que o projeto decolasse. “Mas continuo trabalhando como engenheiro agrônomo, faço e envio meus projetos pelo computador e depois fiscalizo.” As longas escalas que costumam baratear as passagens são muito bem utilizadas por ele para dar conta das entregas.

Atingir a meta dos 120 países, entretanto, não quer dizer o fim da fase de viagens para Luiz Thadeu. Quanto mais conhece do mundo, parece que mais sua lista de desejos aumenta. Para o segundo semestre do ano que vem, a ideia é dar uma volta ao mundo – um pacote oferecido por certos grupos de companhias aé­reas. Ainda está decidindo se fará o itinerário no sentido horário ou anti-horário. “Vou pisar nos cinco continentes e tomar banho em todos os oceanos numa só viagem”, já sonha.

Fonte: Luiz Thadeu

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